HISTÓRIA

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Apesar de só ter sido elevada à categoria de Município, com a designação de “Aquæ Flaviæ”, no ano de 79 d.C., época em que dominava Tito Flávio Vespasiano, é certo que a sua ocupação remonta ao período paleolítico. Durante o período romano, Chaves era um dos mais importantes núcleos urbanos da península, desenvolvendo-se e prosperando à volta das suas fontes termais.

Em Julho do ano 460, após a invasão dos bárbaros e da guerra pela disputa do trono suevo entre Remismundo e Frumário, este último, ao sair vencedor, manda destruir a cidade que era partidária de Remismundo, tendo sido, então aprisionado o Bispo Idácio, único titular conhecido da cátedra flaviense.

Deve-se, aliás, ao Bispo Idácio, na sua importante obra “Crónica”, a única referência a esta diocese.

Seguiu-se a invasão pelos mouros e uma intensa e longa luta entre estes e os cristãos, que durou até o séc. XI.

Em 1160, fica a pertencer definitivamente à Portugal, já que faria parte do dote do condado Portucalense entregue por ocasião do casamento entre D. Teresa e D. Henrique, sendo nesta data entregue ao rei D. Afonso Henriques, pelos irmãos Rui e Garcia Lopes.

Em 1258, recebe o primeiro foral. O rei D. Afonso IV  concede novo   foral  em 1350.

Após ter sido palco de diversos combates ao longo de sua história, em 1929, Chaves é elevada, finalmente, à categoria de cidade.

História da Igreja de Santa Maria Maior (Igreja Matriz de Chaves)

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A origem da Igreja Matriz de Chaves será, segundo alguns autores, anterior ao Bispo Idácio de Limia, primeiro e único bispo de Chaves. Sua reconstrução terá ocorrido no século XII sobre os escombros dos templos anteriores, possivelmente após a vitória dos irmãos Rui e Garcia Lopes, cavaleiros cristãos que alcançaram a conquista definitiva de Chaves aos mouros em 1160.

As primeiras referências à Igreja de Santa Maria Maior surgem nas Inquirições Afonsinas de 1259. Em 1253, realizou-se o casamento do rei D. Afonso III com a infanta castelhana D. Beatriz, após este repudiar sua primeira esposa Matilde de Bolonha. Segundo as crónicas de Fernão Lopes, em 1386, o Mestre de Avis e o Condestável, ali ouviram missa depois da rendição da praça. Em 1462, foi enterrado, numa campa rasa na Igreja, D. Afonso, Duque de Bragança.

Durante os longos anos de sua existência, a Igreja de Santa Maria Maior sofreu diversas intervenções, revelando, atualmente, épocas e estilos diferentes, do românico ao renascença.

No século XVI, reinava D. João III, a igreja foi restaurada de acordo com os modelos renascentistas da época. Novos pórticos surgiram, em estilo neoclássico, alterou-se a capela-mor, sendo feito um teto em abóbada polinervada. No século XVIII, novas obras de restauração ocorreram. Nas paredes laterais foram construídos altares e colocadas janelas, a capela do Santíssimo passou a estar encimada por uma lanterna.A fachada principal, com cornija rematada por cruz vazada, é rasgada por portal em arco de volta perfeita, ladeada por pilastras toscanas que suportam frontão triangular. Na parte superior surge um óculo circular com a imagem de Cristo. Ainda na fachada principal, torre sineira coberta por coruchéu e, abaixo dela, subsiste o portal românico de duas arquivoltas ricamente decoradas, assentes em colunelos com capitéis esculpidos.

Na fachada norte, portal lateral encimado por frontão triangular, destacando-se uma decoração repleta de motivos de grutesco, e onde estão esculpidos os bustos de S. Pedro e S. Paulo. Na parte posterior da igreja, numa das paredes da abside poligonal, no alto de um nicho escavado, destaca-se uma escultura de granito da padroeira, Santa Maria Maior.

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O interior da igreja mantém um ambiente medieval conferido pela rudeza e irregularidade das pedras das suas paredes, iluminado por vãos confrontantes, vitrais e janelas rasgadas sobre as coberturas das naves laterais.

Possui três naves de cinco tramos, separadas por grandes colunas graníticas cilíndricas e unidas por arcos de volta perfeitos. A cobertura é escura, em madeira de castanho. O coro-alto prolonga-se pelas três naves, assente em pilares adossados e com balaustrada de madeira pintada a marmoreados fingidos. O acesso faz-se através de uma escada disposta no lado da Epístola.

No primeiro vão da nave central surge grande e magnífico órgão de tubos, de talha verde, vermelho e dourado. Também ao lado da Epístola, batistério com pia de pedra.

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Possui, ainda, seis capelas laterais. A capela-mor é delimitada por um arco triunfal e coberta por uma abóbada de pedra polinervada. Adossada à capela-mor destaca-se a Capela do Santíssimo, com arco de volta perfeita ladeado por painéis de azulejos azuis e brancos, retratando a Justiça (Epístola) e a Fé (Evangelho), com teto em abóbada e rematado por lanternim. Sobre o sacrário, ergue-se uma imagem de Cristo crucificado. À esquerda e à frente da sacristia, uma capela dedicada a Santa Maria.

Por longos anos, a Igreja de Santa Maria Maior foi a sede da única paróquia de Chaves. Pertenceu, ainda, à diocese de Braga, Miranda do Douro, novamente à Braga, até que, em 1922, foi incluída na recém-criada diocese de Vila Real.